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Brasil rejeita troca desigual ecológica

Já dizia meu mentor intelectual, Giovanni Arrighi, que no processo de “destruição criadora” descrito por Joseph Schumpeter, alguns países e classes sociais apropriam-se de seus aspectos “criativos” e externalizam para outros seus aspectos “destrutivos”. Segundo ele, a destruição criadora no capitalismo é espacial, temporal e socialmente assimétrica. 

No caso das negociações internacionais sobre a mudança climática, vê-se novamente esta regularidade do moderno sistema mundial. Segundo a Folha de São Paulo (09/11/09), Estados Unidos e Reino Unido têm pressionado países em desenvolvimento (como Brasil e China) a financiar a adaptação que o mundo terá de fazer para enfrentar os desafios do aquecimento global. É mais uma tentativa de, após terem colhido os frutos da industrialização, externalizarem desproporcionalmente seus ônus para outros países, onde já se concentra a maior parte da população pobre do mundo. Felizmente, segundo a mesma fonte, o “Brasil, a China e a Índia se opuseram principalmente à proposta do Reino Unido e dos EUA, alegando que a Convenção do Clima, o tratado assinado durante a cúpula do Rio de Janeiro, em 1992, prevê que só os países desenvolvidos entrem com recursos (pelo menos os públicos) para limpar o planeta ou tentar adaptá-lo à mudança climática”.

Para analisar a distribuição desigual dos benefícios e custos das transações econômicas internacionais, Arghiri Emmanuel propôs, nos anos 1960, o conceito de “troca desigual”. Recentemente, em Economia Política, referência tem sido feita ao conceito de troca desigual ecológica, útil para se compreender as assimetrias discutidas no parágrafo acima:

“In contrast to the theory of comparative advantage, ecologically unequal exchange focuses upon the potential zero-sum relationships resulting from the international trade of natural resources from less to more developed countries. First, high-income countries achieve disproportionate rates of material consumption and protect their domestic environmental assets through the shifting of environmental costs to less-developed countries. Second, high-income countries consume a disproportionate amount of ecological space or global biologically productive area at the expense of less-developed countries.” (Rice, James. “Ecologicaly Unequal Exchange: Consumption, Equity, and the Challenges of Sustainable Development“, Paper presented at the Annual Meeting of the American Sociological Association, Philadelphia, 2005).

 

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