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Minhas publicações em jornais

A miséria da crítica da classe média conservadora

Em entrevista publicada no jornal O Estado de São Paulo, Caetano Veloso afirmou que Lula é analfabeto, cafona e grosseiro, fazendo coro à classe média conservadora brasileira que, há 20 anos, pronuncia-se contra os erros de Português e gafes do presidente. Como se não bastasse esta crítica ser ineficaz politicamente (pois não tem afetado negativamente a popularidade do presidente), é fácil, superficial, reflete falta de criatividade e sugere que a inteligência e erudição daqueles que a manifestam não vai muito além da capacidade de identificar erros gramaticais, pois, se fosse, criticariam os resultados práticos de políticas implementadas pelo governo.

A classe média conservadora se julga tão inteligente, mas prefere rir de um erro de Português a ler estatísticas do IBGE para avaliar qual governo gerou mais emprego e renda; não consegue ver a mediocridade de seu argumento por causa da pouca informação que possui (já que lê apenas uma revista semanal e assiste um único noticiário convencional); não enxerga o paradoxo de que Lula, o suposto presidente analfabeto, foi o presidente que mais fundou universidades públicas na história do país. Pobre, quando vota “errado”, pelo menos tem a desculpa de que é por falta de instrução e porque é vulnerável à compra de voto.

Em 17 de Setembro de 2008, o Desembargador Silveira Lenzi, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, teve publicado no Diário Catarinense, artigo em que reproduzia este tipo de crítica ao Presidente Lula. A seguir, minha resposta, publicada no mesmo jornal no dia 19 de Setembro de 2008:

“Em artigo publicado dia 17 de setembro, intitulado “Nunca antes…”, o desembargador Silveira Lenzi, em zelo louvável pela República, critica corretamente a postura do presidente Lula em relação à transmissão de sessões do Supremo Tribunal Federal (STF) pela televisão. Porém, ao afirmar que o presidente Lula manifesta-se “de cima do seu pedestal de popularidade”, cai em uma contradição em termos, pois o alto índice de popularidade significa que a maioria da população se vê bem representada pelo presidente, ao invés de encará-lo como uma figura arrogante. Para minha decepção, a crítica do ilustre desembargador perde vigor quando recorre a superficialidades/anedotas sobre a personalidade do presidente. Ao invés de concentrar-se na crítica séria sobre a questão do STF, dispersa-se em crítica fácil sobre gafes do presidente. Devemos julgar a postura de Lula sobre a importância da educação com base no suposto fato de ele “nunca ler livros”? O que dizer da intenção do governo de investir os recursos do pré-sal em educação? Ou da fixação de piso salarial de R$ 950 para professores? As políticas concretas é que dizem mais.

Felipe Amin Filomeno”

 

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Discussão

Um comentário sobre “A miséria da crítica da classe média conservadora

  1. Ótimo texto! E renderia muitos caracteres mais…

    Publicado por Igor Lima | julho 23, 2010, 9:43 pm

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