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Desenvolvimento pós-crise

Artigo de minha autoria, publicado no Via Política, em que discuto a viabilidade de estratégias de desenvolvimento adotadas por países latino-americanos na última década em face da crise mundial do capitalismo. Acesso à versão completa através deste link.

A crise mundial contemporânea diminuiu ainda mais a credibilidade do neoliberalismo como orientação teórico-ideológica válida para estratégias de desenvolvimento. Os programas de ajuste estrutural e reformas econômicas pró-mercado implementados nas décadas de 1980 e 1990, apesar de terem contribuído para a estabilidade de preços e maior dinamismo em algumas indústrias privatizadas, estiveram associados com baixo crescimento econômico e aumento da desigualdade social. A guinada para a esquerda nos países latino-americanos iniciada no começo da década de 2000 foi conseqüência disso.

Neste contexto, diferentes estratégias de desenvolvimento têm sido ensaiadas na América Latina, todas, porém, tendo os setores exportadores de produtos primários como um dos propulsores centrais do crescimento, graças ao “commodity boom” gerado pela demanda chinesa. Na Venezuela e Bolívia, o “socialismo bolivariano” envolve o controle direto dos setores de exportação através da nacionalização. Na Argentina, as “retenções” sobre exportações, de soja especialmente, financiam programas sociais e um suposto populismo do casal Kirchner. No Brasil de Lula, apesar da valorização cambial recente, vê-se o sucesso do agronegócio exportador e de empresas como a Vale do Rio Doce. Neste país, também, verifica-se uma política de redistribuição de riquezas, sendo o Brasil um dos únicos gigantes mundiais em que se observa redução significativa da desigualdade de renda, graças em parte a programas como o bolsa-família (ao contrário de Índia e China, por exemplo, onde o crescimento econômico, apesar de mais intenso, tem sido acompanhado de aumento na desigualdade).

A presente crise mundial, no entanto, ameaça o sucesso de estratégias de desenvolvimento que tenham exportações de produtos primários como um de seus eixos centrais, especialmente se a demanda chinesa não compensar a redução da demanda global. Por isso, é preciso repensá-las. Em “The Global Crisis and the Implications for Developing Countries and the BRICs: Is the “B” really justified?” (Revista de Economia Política, out./dez. 2009), o economista Jan Kregel propõe que países como o Brasil, em face do cenário mundial vigente, realizem uma transição de uma estratégia de desenvolvimento baseada em demanda externa para outra de crescimento baseado no crescimento da renda e consumo domésticos, através de diversificação de mercados e produção. Segundo o autor, o Brasil não só tem boas condições para realizar tal mudança como, de fato, já está colocando-a em prática, através de programas como o PAC e o bolsa-família.

Os argumentos de Kregel não poderiam ser mais semelhantes aos de Celso Furtado, que demonstrou a importância da formação do mercado doméstico para a superação da crise mundial dos anos 1930 no Brasil. Isso não significa, no entanto, um simples retorno à estratégia de industrialização por substituição de importações que se observou no país após 1930. [continua; versão completa disponível no Via Política]

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