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Copenhague e o desenvolvimento

Como sugestão, apresento o artigo de Delfim Netto (disponível aqui), publicado pela Carta Capital em 11/12/2009, em que o economista discute as implicações da conferência de Copenhague para o desenvolvimento internacional. Abaixo, alguns trechos que considero importantes:

O caso emblemático é o da China (o maior poluidor mundial), que espertamente se antecipou à cobrança universal e expôs as suas condicionalidades com simplicidade absoluta. A China não faz segredo de que trabalha para ser o grande império do século XXI e fez saber aos demais parceiros mundiais que não abre mão do crescimento de 9% anuais de seu PIB, nível abaixo do qual o Partido Comunista acredita que se criariam terríveis problemas sociais para seus súditos.
Com uma produção de energia altamente ineficiente e poluente (o carvão ainda é a principal fonte), ela também quer saber o quanto os países desenvolvidos, que já poluíram muito mais antes, vão subsidiar a conversão da matriz energética dos subdesenvolvidos.
A terceira condição apresentada pela China é daquelas com potencial de produzir o impasse, porque ela está exigindo a garantia de acesso livre à tecnologia desenvolvida nos EUA e na Comunidade Europeia para promover a substituição das fontes poluentes pela energia alternativa. Ora, essa é uma questão crítica, pois todos sabem que a menina dos olhos do desenvolvimento americano é a proteção da propriedade científica e intelectual.

Os parágrafos acima deixam claras as implicações distributivas de uma possível solução para os problemas ecológicos globais, que deverá ir claramente contra as regras atuais do sistema capitalista mundial. Permitir que países pobres cresçam mais do que países ricos (ou seja, que se desenvolvam economicamente), permitir aos países pobres acesso livre a inovações tecnológicas desenvolvidas nos países ricos…, são verdadeiras anomalias diante da história de desenvolvimento desigual no capitalismo mundial, daí o impasse.

Finalmente, Delfim destaca a posição favorável do Brasil nesta problemática:

O Brasil é o país mais bem posicionado nessa história. Não só porque colocou em saia-justa Obama e Hu Jintao, que se preparavam para boicotar a reunião, como porque se apresenta com a matriz energética mais limpa do planeta. Temos 45% da matriz energética de fontes renováveis, enquanto este porcentual gira em torno de 12% no resto do mundo.

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